Você já sentiu aquela vontade de desacelerar? Tipo, parar de rodar o feed infinito e só curtir algo simples, sem distração alguma?
Foi exatamente isso que me levou a tirar meu iPod Classic 5ª geração do fundo da gaveta (ou melhor, do Facebook Marketplace).
Porque trocar o Spotify pelo iPod?
E em pleno 2024?
Primeiro, porque eu senti que precisava resgatar uma coisa que estava se perdendo na era do streaming:
A sensação de estar no controle do que ouço.
Com o iPod, é você quem escolhe cada música, cada álbum.
O que entra ali dentro, eu escolhi a dedo e arrastei da pasta para o Music (o novo iTunes da Apple. R.I.P iTunes 🥲).
Não tem playlist feita por algoritmo nem sugestões baseadas no que você “deveria” gostar.
Segundo, carregar meus MP3 antigos - a maioria baixada até 2010 - foi como abrir um baú de memórias.
Que sensação gostosa de ouvir músicas até então esquecidas pelo tempo.
Achei trilhas sonoras de fases da minha vida que eu nem lembrava mais.
E, sem perceber, acabei revisitando um “eu” mais leve, mais intuitivo, que vivia sem tanto peso do olhar dos outros.
iPod Classic 5th Generation 80GB
Ferramenta vs Dispositivo
Se o Spotify é tipo uma comida pronta no delivery (prática, mas meio impessoal), o iPod é o equivalente a cozinhar em casa.
Dá mais trabalho. Óbvio.
Você tem que caçar as músicas, transferir os arquivos, organizar as playlists.
Mas, cara, é libertador. Que loucura. Que leveza na alma.
Ferramenta (iPod):
Faz só uma coisa, mas faz bem.
Depende 100% de você: é o seu dedo, não um algoritmo.
Te conecta com a música, sem distrações.
Dispositivo (Smartphone/Spotify):
Faz tudo, mas te suga.
Toma decisões por você (e nem sempre acerta).
Te empurra notificações, anúncios e aquela ansiedade básica de estar sempre "online".
A Nostalgia bateu diferente
Teve um dia, andando de volta do coworking, que me peguei ouvindo o mesmo álbum que ouvia no ônibus indo pra faculdade.
Por uns minutos, foi como se eu tivesse 20 anos de novo, cheio de sonhos e sem muita ideia de como o mundo funcionava.
Mas com uma leveza que hoje parece rara.
Usar o iPod nesses 60 dias não foi só uma viagem musical, foi uma conexão com uma época em que eu fazia as coisas porque queria, não porque alguém estava olhando ou esperando algo de mim.
Valeu a pena?
Com certeza.
Esses dois meses me ensinaram que às vezes simplificar é o caminho. Focar em uma coisa de cada vez (no caso, só a música) me trouxe mais atenção plena.
Senti que o tempo passava mais devagar, e minha cabeça ficava mais limpa.
Sim, claro, ainda uso Spotify no carro (não vou romantizar tudo, né?). Mas o iPod virou meu companheiro oficial em momentos de relaxamento. É quase um momento de meditação.
Se você tiver a chance, recomendo experimentar — seja com um iPod, um walkman ou qualquer ferramenta que te desconecte do “sempre online”.
Então, que tal dar uma pausa no streaming e revisitar seus clássicos?
Meu próximo objetivo? Voltar ainda mais no tempo: fitas cassetes e discos de vinil.
A nostalgia pode ser o que você precisava pra se reconectar consigo mesmo.